Artigo publicado na Revista Automatizar, n. 8, Dez – Jan/2012, pág. 34
Historicamente nunca houve um momento tão oportuno para a automação residencial como o que estamos vivendo atualmente. Quando se analisam as principais tendências que impulsionam o uso de tecnologias em residências observa-se que muitas não estão diretamente ligadas ao ambiente doméstico em si, são fatores externos, de caráter social, econômico e geopolítico, mas que alteram diretamente a rotina diária e as funções exigidas de uma casa.

Considere-se uma situação hipotética em que um casal, que passa o dia longe de casa em extensas rotinas de trabalho, é responsável pelo sustento e cuidado dos filhos e dos pais. Este ritmo intenso requer um aumento na eficiência e na flexibilidade das rotinas diárias. A casa deixa de ser apenas um lugar passivo para prover serviços que até pouco tempo não estavam disponíveis no ambiente residencial.
É possível descrever várias formas em que os sistemas residenciais inteligentes ampliam e melhoram a experiência de todos os moradores. As comunicações digitais provêm acesso à Internet, telefonia e mídia modificando a relação entre tempo e espaço, e transformando a casa em escritório, centro de entretenimento e de conectividade social. As redes domésticas interligando os eletrodomésticos inteligentes proporcionam a automatização de funções, promovendo uma moderna gestão da residência com a utilização eficiente de recursos e de energia.
No caso de pessoas com necessidades especiais (temporárias ou permanentes), os sistemas residenciais inteligentes oferecem mecanismos para aumentar a autonomia e para que elas continuem a desempenhar seus papéis na sociedade. Esses sistemas permitem não apenas monitorar remotamente o estado de saúde (home care), mas também compensar deficiências funcionais (controle remoto de dispositivos e portas), prover segurança (alarmes de incêndio, de intrusão e mecanismos de desligamento automático para equipamentos como fogões e ferros de passar roupa) e facilitar o acesso aos meios de comunicação.
Para as crianças, oferecem mecanismos de emancipação por meio do acesso à informação e entretenimento. O casal se beneficia com as ferramentas de monitoramento em tempo real do que acontece dentro da casa e com a possibilidade de controle à distância.
O panorama socioeconômico do século XXI bem como a crise energética e a problemática ambiental são fatores que demandam urgentemente uma mudança significativa no modo de como construímos e usamos nossas residências. Este contexto inédito propicia o desenvolvimento de serviços socialmente importantes e lucrativos de automação e controle residencial aqui no Brasil. As razões são simples: o setor da construção civil nacional passa por um momento positivo e de investimentos, e os brasileiros têm necessidades diferentes dos clientes dos países onde normalmente os equipamentos de automação residencial são desenvolvidos e comercializados.





