Casas Inteligentes e o suporte aos portadores do Mal de Alzheimer

Segundo a Organização das Nações Unidas, a expectativa de vida média da população mundial tem aumentado. As pessoas estão vivendo mais a cada ano que passa. Nos países ricos como Estados Unidos, Canadá e Japão estima-se que em 2050, 32% das pessoas estarão com mais 60 anos de idade (em 2006, o índice era de 20%). No Brasil, segundo o IBGE, cerca de 64 milhões de pessoas terão mais que 60 anos em 2050, quase 30% dos 215 milhões de habitantes do país.

O envelhecimento aumenta a probabilidade de um indivíduo experimentar um declínio da visão, audição, cognição e movimento, restringindo ou até mesmo impedindo a execução das atividades rotineiras. Para alguns idosos, a simples rotina de cozinhar um alimento no forno de microondas pode se transformar numa árdua tarefa. Os empecilhos vão das minúsculas letras das instruções escritas nas embalagens dos produtos até as inapropriadas travas das portas e interfaces de comando que os fornos disponibilizam.

Com o aumento e envelhecimento da população, cresce também o número das pessoas que sofrem doenças crônicas ou com alguma forma de deficiência. De acordo com o trabalho de Ron Brookmeyer, et. al, Worldwide Variation in the Doubling Time of Alzheimer’s Disease Incidence Rates, em 2050, quase 100 milhões de pessoas (1.2% da população mundial em 2050), o quádruplo do número atual, sofrerão do Mal de Alzheimer. E, estima-se que 43% desses casos necessitarão de um nível alto de cuidados, com monitoramento constante.

A combinação de todos esses dados e projeções com os altos custos institucionais de previdência social e saúde é um incentivo para o desenvolvimento de novos serviços de saúde que se beneficiem da atual disponibilidade de recursos tecnológicos.

E como a Casa Inteligente pode contribuir nesse momento?

A tecnologia de residências inteligentes é apropriada ao monitoramento de indivíduos com Alzheimer pois pode se adaptar às suas necessidades de forma gradativa, de acordo com o avanço da doença.

No primeiro estágio, o sintoma mais notável é a perda de memória de curto prazo e uma certa desorientação de tempo e espaço. Nessa fase, a casa monitora as ações do indivíduo e atua de modo que supra suas falhas sem cercear suas atividades cotidianas e sem prejuízo de sua segurança. Uma dona de casa, por exemplo, que usa o fogão diariamente e começa a esquecê-lo aceso pode contar com o fechamento automático do gás caso a residência inteligente detecte uma situação iminente de risco de morte antes mesmo que haja indícios de fogo ou fumaça.

Na segunda fase, com a quantidade de neurotransmissores diminuída, o indivíduo tem dificuldade em reconhecer e identificar objectos (agnosia) e em executar movimentos (apraxia). Sistemas de Automação Residencial são imprescindíveis neste momento, uma vez que permitem o comando e o monitoramento remotos de funções como iluminação, ventilação e o controle de portas e janelas, aumentando o conforto e a independência de pessoas com mobilidade reduzida.

Num estágio mais avançado, em que o paciente detém um baixo nível de compreensão do mundo externo e não está mais apto a tomar decisões, a residência altera sua programação para um nível de cerceamento mais elevado com o propósito de manter a segurança do indivíduo e das pessoas que convivem com ele.

Nessa situação o ambiente fica menos sujeito às vontades do paciente, elevando o nível de automatização dos serviços e não esperando por sua interação. Botões de pânico ou qualquer outro dispositivo que necessite da atuação do paciente não são operacionais neste estágio. As informações exibidas nas interfaces são simplificadas e políticas mais restritivas de uso de equipamentos e acesso a locais de risco são adotadas.

Na fase terminal da doença, quando é desejável um monitoramento constante do paciente por agentes de saúde, a Casa Inteligente disponibiliza sua infraestrutura de rede de dados e telefonia aos equipamentos de home care permitindo que os sinais vitais do paciente sejam transmitidos e acompanhados por uma equipe médica, em tempo real.

Por que o Alzheimer?

Certamente, o Mal de Alzheimer não é a única doença que aflige pessoas e suas famílias. Porém, para efeito de estudos e desenvolvimento de produtos e serviços, os sintomas verificados em cada fase reúnem características apresentadas por inúmeras outras doenças. Dessa forma, ela por si só já representa um grande desafio para os desenvolvedores de Casas Inteligentes no sentido de prolongar a independência desses indivíduos, bem como prover meios para aumentar sua segurança e conforto.

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